A Região dos Yungas na Bolívia – Parte 2

Nossa segunda visita a região dos Yungas foi feita num carro alugado. Alugar um carro na Bolívia é caríssimo e o preço triplica se houver intenção de ir com o carro para outras regiões. Nosso plano inicial era usar o carro para buscar uma amiga no aeroporto de Santa Cruz, mas desistimos quando vimos o preço, daria para pagar meses de aluguel de um apartamento num bairro central em La Paz. Andar de carro na Bolívia é uma aventura que começa na hora de assinar o contrato com a locadora (dica: leia cada cláusula com atenção e exija que tudo que for discutido com o vendedor esteja escrito no contrato). As estradas têm péssimo estado. Os bloqueios às estradas acontecem com bastante frequência e inesperadamente. Os policiais bolivianos merecem um post só para eles. E tem, claro, a cultura de automobilística local, que era completamente estrangeira para a gente.

Não lembro quantos dias viajamos por aqui. A estrada era lenta, tortuosa e poerenta. Janelas abertas porque o calor só vencia quando o carro estava em movimento. Outros carros passavam e comíamos poeira. Muita poeira. Continue reading “A Região dos Yungas na Bolívia – Parte 2”

Santiago de Okola (Bolívia)

Titicaca e o cachorro do nosso guia

É uma pena que não escrevi antes sobre Santiago de Okola, porque tenho certeza que alguns detalhes me escapam. Mas se fosse escrever esse post 4 anos atrás, ele teria sido mais ingênuo, menos consciente.

A pequena comunidade de Santiago de Okola é extremamente pitoresca, à beira do Titicaca boliviano. Produzem seu próprio alimento, com cada família sendo responsável por uma parte da produção (batatas e outros tubérculos, quinoa e outros cereais, porcos, ovelhas, patos, eles produzem produtos têxteis também, a partir da lã das ovelhas que criam). Queria sentir a vida andina sem os inevitáveis filtros para turistas, queria a experiência de morar à beira do Titicaca, de entender plenamente como vivem os locais. Ambiciosamente, queria me sentir local. Talvez esse seja um dos meus maiores amadurecimentos ao longo dos anos que se seguiram à nossa experiência pela América do Sul. Esse anseio impossível por sentir como o outro se sente sem sê-lo. Sem a língua, a cultura, as experiências, a perspectiva.  Continue reading “Santiago de Okola (Bolívia)”

Foi assim que viramos nômades…

Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Guimarães Rosa

“Pegar estrada” é sujeitar-se ao desconhecido, não só o desconhecido do mundo que se abre, mas também ao desconhecido dentro de si. Abandonar as certezas não é sempre uma decisão fácil. Mesmo tendo um comprometimento grande de encontrar respostas interessantes para as várias questões da minha vida, muitas vezes, diante da necessidade do novo, sou a primeira a relutar, a me recusar a aceitar as mudanças que eu mesma quis.

Quando começamos esta jornada, em maio de 2012, não sabíamos onde íamos parar, nem quando. Nossa plano inicial era ficar seis meses viajando, plano que rapidamente se mostrou inviável: nenhum de nós dois tem fôlego para ver tudo o que queríamos ver, em tão pouco tempo. Logo em seguida, um ano na estrada parecia tempo de menos e tempo de mais. Explico: de menos para ver tudo, conhecer as pessoas, nos aprofundar. De mais, para o Rodrigo ficar longe do mercado de trabalho (ele já tinha se desvinculado da última empresa em que trabalhou uns bons meses antes da viagem, quando já sabíamos que íamos viajar).

A verdade é que queríamos ser menos turistas e mais moradores. Continue reading “Foi assim que viramos nômades…”

Potluck em La Paz

 

Fazer amigos numa cidade nova, num país estrangeiro, é sempre uma loteria. Aqui em La Paz, sinto que tivemos sorte, conhecendo gente que abriu as portas das suas casas depois de termos trocado poucas palavras, baseando-se mais na intuição do que em fatos. Se descobri tanto sobre a cidade, sobre a Bolívia, nestes quase dois meses vivendo aqui, devo isto a estas pessoas maravilhosas que nos acolheram.

Algumas semanas atrás, fomos convidados para um potluck com direito a vinho, cerveja, chá, balinhas de gengibre, celebração de aniversário, novas amizades e conversas até alta madrugada. Tudo isto a 3600 metros de altitude, na Zona Sur, a região nobre aqui da cidade.

Potluck é um encontro, uma festa Continue reading “Potluck em La Paz”

Minas Gerais!

Interrompo a narrativa de nossa passagem pela América do Sul para escrever sobre Minas Gerais, uma viagem que aconteceu no final de dezembro de 2011.

Quando voltamos de lá, guardei as fotos e por fim, esqueci delas. Hospedados, então, num pequeno hotel no meio do mato no mês passado, numa madrugada de insônia, aqui na Bolívia, resolvi editá-las. Olhar estas fotos – que agora compartilho com vocês – me fez pensar nestes dias de estrada, quando ainda tínhamos casa.

Para Minas, não tínhamos um roteiro totalmente definido, mas em nosso plano original, tentaríamos conhecer as diversas regiões deste estado que é o quarto maior em extensão territorial e o segundo mais populoso no Brasil. Com o carro cheio de amenidades, comida, fogareiro, barraca, roupas saímos de São Paulo em direção a Rodovia Fernão Dias e nosso primeiro destino: um motel de beira de estrada entre Três Corações e São Tomé das Letras.  Continue reading “Minas Gerais!”

Webdocumentário Ipiranga 895

 

Em Outubro de 2010, enquanto fotografava o interior do prédio invadido pelo FLM (Frente de Luta por Moradia), fiquei sabendo de um grupo de jornalistas que preparava um webdocumentário sobre o mesmo tema. Acabei participando de algumas reuniões e socializando algumas fotos para o projeto e foi assim que nasceu esta colaboração com o Outras Palavras, um site que apresenta artigos muito bons sobre o mundo atual, numa ótica bem diferente das mídias tradicionais aqui no Brasil: www.outraspalavras.net.

Pro webdocumentário, mais de 20 profissionais participaram, fizeram entrevistas, fotografaram, filmaram e forneceram material. Foi legal ter feito parte de uma produção coletiva participativa.

Colocar todo este material junto, editar, selecionar, e transformá-lo em algo coeso e informativo dá um trabalhão: quem não deixou o projeto morrer foi jornalista Breno Castro Alves, que finalizou tudo e organizou uma festa bacana numa outra ocupação, na Avenida São João.

Fica aqui o link do webdocumentário: http://www.ipiranga895.outraspalavras.net/

 

Ocupação Avenida Ipiranga

Em 3 de Outubro, no mesmo dia das eleições, a FLM (Frente de Luta por Moradia), ocupou 4 prédios vazios no Centro da cidade de São Paulo.

Frequentei o prédio ocupado na Avenida Ipiranga durante o período em que eles ficaram por lá. Com eles conversei, fiz perguntas, comi e por lá dormi na última noite, a noite da reintegração de posse.

Com eles consegui aprofundar meu questionamento sobre a moradia em grandes cidades especialmente uma com tanto espaço físico como São Paulo, que ainda que tão grande, constantemente empurra seus moradores com menor poder aquisitivo para longe, para as periferias da cidade, através de demolições seguidas de construções de prédios de luxo ou destinados a classe média, altas no valor dos imóveis, especulação imobiliária e tantas outras questões relacionadas ao custo de vida.

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  • Desocupação Desocupação
  • Oração Oração
  • Polícia Polícia Integrantes da FLM observam a chegada da PM e dos caminhoes de mudanca que serao responsaveis pelo carregamento dos moveis de dentro do edificio ocupado para armazenagem
  • Saída Saída Ex-ocupantes do predio da Av Ipiranga choram ao deixar predio.
  • Saída Saída Senhora deixa predio da Av Ipiranga carregando seus pertences.