Maya!

Posted by on Nov 10, 2013

elaine_santana_maya-4809

Rodrigo fazendo pele a pele (essencial para o desenvolvimento do prematuro) no dia seguinte à alta. Junho/2013. Foto: Elaine Santana

Faz um pouco mais de um ano que escrevi sobre o Dia de Los Muertos na Bolívia.

Aquele foi nosso último dia de Bolívia: viajávamos em direção ao Peru. A linda festa dos mortos. Chorei com o acolhimento de uma família, no Cemitério Geral em La Paz, um senhor me explicando o sentido de cada uma das oferendas. Estava explodindo de emoções naquela semana, a vida à flor da pele, sentindo tudo, intensamente… Naquele momento, nem imaginava que já crescia dentro de mim a Maya. Ela me pedia descanso, repouso, introspecção, mas eu tinha planos profissionais: algumas sessões de fotos de um trabalho que fiz para uma ONG Boliviana.

Nunca foi minha intenção ficar tanto tempo sem escrever aqui no blog, mas nossa vida foi mudando rapidamente, e estávamos sempre tão ocupados que acabei não contando da gravidez. Tantas histórias, tantos textos por escrever, as fotos já editadas, só esperando publicação, e eu querendo seguir a ordem cronológica da viagem, contar da Bolívia e depois contar da chegada ao Peru, que foi quando comecei a desconfiar da gravidez (num barco, no lago Titicaca, voltando para Puno), do momento que a certeza começou a se instalar (no trem, acompanhada de um amigo nova iorquino, indo em direção a Águas Calientes). Queria dividir os momentos belos, como o que tive no ônibus em direção a Machu Picchu: me emocionei pensando no mundão que apresentaria para o serzinho que crescia dentro de mim.

Read More

Nossa Primeira Ida a Região dos Yungas ou De Como Não Se Deve Aceitar Convites Quando Se Tem Uma Pauta Para Entregar No Mesmo Dia

Posted by on Feb 14, 2013

elaine_santana_caranavi-1151

 

Nossa primeira visita a região dos Yungas aconteceu com R, um inventor estadunidense que vive faz mais de 30 anos na Bolívia. Para mim, a viagem foi horrível. Rodrigo não achou que foi tão péssimo e até chegou a se divertir.

Com um prazo de pauta para entregar no fim daquele dia, topei a ida com a certeza de que faríamos como havia nos dito R: chegando na cidade de Coroico, que fica a duas horas de La Paz, encontraríamos um hotel onde eu pudesse sentar e escrever.

Eu também havia me comprometido a produzir um pequeno vídeo para promover a nova invenção de R, um motor movido a água, e esta era a razão principal pela qual eu estava embarcando nesta viagem.

Quando nos encontramos pela manhã, na porta do prédio onde estávamos morando, R me disse que tinha “resolvido deixar o motor em casa,  mas iria procurar um rio adequado para testá-lo e produzir o vídeo no futuro”.

Tive um momento de dúvida: Será que eu devo ir? Acabei resolvendo que sim, já que R fazia aniversário naquela semana e também queria comemorar conosco nesta viagem.

De táxi fomos até El Alto, a cidade acima de La Paz, de onde sai uma parte do transporte para diferentes lugares na Bolívia, e de lá pegamos uma van em direção a Coroico. O motorista, um ‘kamikaze‘ que fazia as curvas da estrada perigosíssima como se estivesse numa competição automobilística, assustou os passageiros. Mas a bem da verdade, eu tinha trabalhado até 5 da manhã e as curvas, e a velocidade com que eram feitas, me deram sono e dormi a maior parte do caminho. Só em Coroico fui informada que alguém pediu encarecidamente para o motorista diminuir a velocidade ‘antes que nos matasse a todos’.

 

elaine_santana_caranavi-1135

 

Chegando na pequena cidade, fomos tomar um café da manhã. O combinado seria dali rumar para um hotel que R havia descrito como idílico e maravilhoso. Em poucos minutos tínhamos feito nossos pedidos e ele levantou-se para atender o celular longe de nosso pequeno grupo (eu, Rodrigo e Dana, uma voluntária que havia acabado de chegar à Bolívia para trabalhar com crianças surdas numa escola em La Paz). Passado algum tempo e muitas ligações, ficou claro que, de La Paz, era a esposa de R quem buscava uma acomodação para nós 4, e que não havia nada muito certo.

Depois de inúteis tentativas da esposa para nos hospedar naquela noite (alguns lugares estavam lotados, outros eram caros demais), R sugeriu um hotel perto do rio Coroico, ao qual chegaríamos de táxi. Vinte minutos mais tarde, estavámos na porta de uma chácara onde funcionava apenas um restaurante e uma piscina suja para quem quisesse ‘passar o dia’. Nenhuma hospedagem.

A próxima sugestão foi irmos até uma ‘cidadezinha próxima, onde o clima é menos frio, mas a cultura ainda é andina’. Aparentemente, nos arredores da cidade produzia-se muitas das frutas, verduras e legumes que abastecem La Paz e, segundo R, seria bem interessante para eu fotografar. E o rio, ah o rio dali seria maravilhoso para testar o motor. Neste momento, cogitei voltar para La Paz, mas movida ainda por um espírito de aventura e a vaga ideia de que o dia terminaria bem, afinal de contas, concordei.

 

elaine_santana_caranavi-1136

 

R fez sinal para outro táxi. Desta vez, por sua conversa com o taxista, finalmente me dou conta de que ele não sabe falar espanhol, apesar das décadas vivendo na América do Sul. Viro para o Rodrigo e confidencio, baixinho, minha descoberta inacreditável: E-L-E — N-Ã-O — F-A-L-A — E-S-P-A-N-H-O-L!!!!!!!!!! (É… Às vezes, eu me comporto como se tivesse 10 anos de idade, eu sei).

Read More

Bar Secreto e Valle de la Luna – La Paz

Posted by on Feb 13, 2013

elaine_santana_bar_bizarro_bolívia-1084

 

Primeiro fomos num show beneficente de uma banda cujos membros fazem trabalho social envolvendo crianças moradoras de rua  em El Alto, a cidade acima de La Paz, a capital aymara. De lá, Dimelza, uma paceña que faz seu mestrado em direito  na Espanha, nos levou num bar chamado Secreto. O bar ficava numa casa sem placas ou sinalizações. Decorado com um milhão de badulaques, à meia luz, foi talvez o lugar mais ‘cool’ que fomos enquanto estavámos morando em La Paz. Sob denúncia, o bar foi fechado pouco tempo depois.

Naquela noite, conversamos sobre a experiência de sermos expatriados e a relação com nossas cidades natais quando retornamos a elas depois de um tempo perambulando por outros lugares, como mudamos nós e a cidade passa a não caber mais nas nossas expectativas, novas perspectivas, novos olhares. Para Dimelza, voltar para La Paz era dar de cara com coisas que ela considera ridículas e outras que sente saudades. Talvez bem parecida com a minha relação com São Paulo, de amor e ódio, de reconhecimento e rejeição.

 

elaine_santana_bar_bizarro_bolívia-1072elaine_santana_bar_bizarro_bolívia-1078elaine_santana_bar_bizarro_bolívia-1081

 

Na tarde seguinte, fomos (eu e o Rodrigo) de  táxi até a Zona Sur, a região novo-rico de La Paz e Dimelza nos levou em seu velho carro para o mais turístico dos passeios de quem visita a cidade: o Valle de la Luna. Embora a paisagem esteja presente em outras partes da cidade, aqui as montanhas de argila, em pleno processo de erosão e muitas delas em decomposição, podem ser vistas de perto.

Depois Dimelza nos levou para conhecer a região do vale da Zona Sur.  Carly, que nos acompanhava também nesta excursão, comentava sobre os químicos presentes na água de La Paz, e o quanto que as frutas, verduras e legumes, que são regadas com esta água, também são contaminadas. 

  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
  • Valle de la Luna - La Paz Valle de la Luna - La Paz
{image.index}/{image.total}
Read More

Artesania Sorata

Posted by on Feb 12, 2013

PhotoShoot Oct/2012

 

A Artesania Sorata foi criada faz 28 anos. Inicialmente começou a funcionar na cidade de Sorata, na Bolívia, mas 10 anos atrás, mudou-se de mala e cuia para La Paz.

A primeira vez que li sobre ela foi na internet, quando fazia pesquisas sobre a Bolívia. Depois, uma amiga fotógrafa me colocou em contato com a Diane Bellomy, que administra o empreendimento. Comércio justo, empoderamento de mulheres locais, uso de técnicas amigáveis com o meio ambiente: fiquei muito feliz quando me contrataram para fazer a campanha deles, que inclui, além de fotos de moda, um trabalho documental que ainda não finalizei.

 

PhotoShoot Oct/2012

Read More

Foi assim que viramos nômades…

Posted by on Dec 4, 2012

Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Guimarães Rosa

“Pegar estrada” é sujeitar-se ao desconhecido, não só o desconhecido do mundo que se abre, mas também ao desconhecido dentro de si. Abandonar as certezas não é sempre uma decisão fácil. Mesmo tendo um comprometimento grande de encontrar respostas interessantes para as várias questões da minha vida, muitas vezes, diante da necessidade do novo, sou a primeira a relutar, a me recusar a aceitar as mudanças que eu mesma quis.

Quando começamos esta jornada, em maio de 2012, não sabíamos onde íamos parar, nem quando. Nossa plano inicial era ficar seis meses viajando, plano que rapidamente se mostrou inviável: nenhum de nós dois tem fôlego para ver tudo o que queríamos ver, em tão pouco tempo. Logo em seguida, um ano na estrada parecia tempo de menos e tempo de mais. Explico: de menos para ver tudo, conhecer as pessoas, nos aprofundar. De mais, para o Rodrigo ficar longe do mercado de trabalho (ele já tinha se desvinculado da última empresa em que trabalhou uns bons meses antes da viagem, quando já sabíamos que íamos viajar).

A verdade é que queríamos ser menos turistas e mais moradores.

Read More

Dia de los Muertos – Uma Incursão Antropológica

Posted by on Dec 3, 2012

Na Bolívia, assim como no Brasil, a celebração acontece dia 2 de Novembro. Também chamado de Dia de los Difuntos e para os católicos, Dia de Todos los Santos.

Na semana que antecedeu o feriado, eu fazia uma série de vídeos e entrevistas em La Paz para um documentário que envolve a manufatura de roupas de lã de alpaca e ovelha por mulheres andinas de origem indígena. Tive dificuldades para entrevistar as mulheres porque, além da tradicional timidez andina, elas estavam ocupadas fazendo os pães que seriam oferecidos para os mortos. Na verdade, eu passei a semana inteira ouvindo que as mulheres não podiam me encontrar “porque estavam fazendo pão”. Só no fim da semana que fui entender o ritual.

Read More

Dia de los Muertos

Posted by on Nov 2, 2012

Hoje é nosso último dia aqui na Bolívia, nosso último dia de visto válido e temos que sair. Nosso plano é voltar em janeiro e passar mais três meses por aqui.

Hoje também é o dia de los muertos. Fui com um grupo de amigos daqui ao cemitério geral de La Paz. O dia dos mortos é o dia de celebrar os mortos que se foram. Não parece em nada um dia triste e além de mim, não vi mais ninguém chorando. Música, oferendas, comida, bebidas e flores, muitas, muitas flores.

Um senhor, me vendo fotografar as oferendas de sua família, que estavam no chão (frutas, biscoitos, pipocas, e t’antawawa – pão feito em forma de pessoa) começou a me explicar as tradições, as oferendas. Depois nos deu parte das oferendas. Queria

Read More